quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema Nordestino

Boiada

Lá vai o boiadeiro
Levando sua boiada
na terra sêca.

Lá vai em busca d'agua
com certeza de lá está
e de no solo encontrar
uma terra pra se plantar.

Lá vai a semente fertil
que busca uma vida salavar
e, no fundo do bem estar
nasce a certeza de que,
um dia tudo virá
e a terra sempre será
um eterno plantar...

Aluna: Islaine Reis

Poema Nordestino

Mule rendera
Olá mule rendera
olá mule rendera
se tu mim sinaa fazer renda
eu te ensino a namorar...

Canção o Cangaceiro

Acorda Maria Bonita, acorda pra
fazer café o dia já vem
raiando e maria bonita não está de pé...

Aluno: José Neves

Poema de adolescente

A adolescencia tem que ter paciencia.
Para saber como lidar com ela.

Que fase chata
Que fase que asusta
Como pequenas coisas abusadas.

As mudanças nos assustam
E nos ajustam.

Crescemos no modo de pessar
Crescemos no modo de agir
Assim podemos progedir.

Não consigo me entender
E me pergunto:Peciso fazer o que?

Ser feliz é o melhor
Mesmo que a vida de adolescente é o pior

Muitas pais não entendem
E varios fazem coisas fora do limite
Mas isso não emite!!!

Ass: Gabi

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Poema Adolescência

A adolescencia por um
lado é bom e pelo
outro não

A adolescencia por
um outro lado
é boa
porque aprendemos coisas novas

A adolescencia nos ensina
coisas muito importante
para nossa vida
que fica marcado

Tem vez que certa coisa
Nos deixa maguado na
adolescencia

Aluna: Emille

sábado, 6 de setembro de 2008

Façam já

Oi!!
Vocês já ouviram falar do Sonico? entrem nesse sate : http://www.sonico.com e faça o seu!
Eu ja tenho o meu só faltam vocês .Façam e me add, ta.
bjuxxx!!
Ass:Nessa :-)

Artesanato nordestino

Artesanato
Existem três formas de artesanato: o folcórico (manifestação de cultura espontânea), erudito (resultante de um aprendizado dirigido) e popular (executado num contexto comercial e de consumo). A característica principal do artesanato folclórico é a produção de um efeito físico, de sentido predominantemente utilitário. No seu domínio incluem-se objetos e artefatos de uso diversificado, executados manualmente por uma pessoa ou um pequeno grupo de pessoas. Esses objetos contêm em si marcas de uma cultura determinada e, deste modo, atestam a ligação do homem com o meio social em que vive. Exemplos de artesanato com função lúdica são as peças em cerâmica de Caruaru (PE). A confecção dessas peças ocupa atualmente centenas de famílias de artesãos. São geralmente pintadas com tintas industrializadas e reproduzem cenas e tipos populares regionais.
ASS:Gabi

Receitas Nordestinas

Pamonha
Ingredientes:5 espigas de milho verde grandes 1/2 xícara de chá de leite 1 colher de sopa de manteiga 1 xícara de chá de açúcar.

Modo de fazerDescasque as espigas(reserve as palhas), eliminando os fios. Usando uma faca afiada, corte os grãos de milho bem rente ao sabugo. Coloque-os no copo do liquidificador e bata até obter um creme e reserve. Aqueça o leite junto com a manteiga e o açúcar até que a manteiga derreta. Apague o fogo e deixe esfriar. Enquanto isso, escolha as palhas maiores, dobre-as e costure as laterais, fazendo saquinhos. Adicione o creme, mexa bem e distribua o creme obtido entre os saquinhos. Feche-os bem, amarrando com tiras de palha. Coloque os saquinhos numa panela com água e cozinhe até que a pamonha esteja firme e a palha amarelada. Sirva-as quente ou frias.
ASS:Francielle

Região Nordeste

BIOGRAFIA

Criada em 1924 no alto sertão nordestino, a Banda de Pífanos de Caruaru atravessou o século levando ao público os costumes e folclores da região. Tendo como instrumento principal o pífano, ou “pife”, uma espécie de flauta transversa de madeira, rústica e com afinação pouco precisa, o grupo começou sua trajetória acompanhando rituais religiosos e festas tradicionais dos sertões pernambucano e alagoano, tendo, inclusive, tocado para Lampião e seus “cabra”. Permaneceram no âmbito folclórico até, na segunda metade dos anos 60, terem seus arrasta-pés ouvidos e admirados por figuras em ascensão da música popular brasileira da época, como Gilberto Gil e Jards Macalé. Gil foi conhecer a banda em Caruaru, e do encontro surgiu “Pipoca Moderna”, parceria gravada por Gil em 1971. Com um repertório composto de xaxados, baiões e arrasta-pés, a banda continuou, entretanto, animando suas festas em Caruaru e, fora de seu habitat, restrita a intelectuais e músicos preocupados com a cultura popular. Em 1999 gravaram “Tudo Isso É São João”, pela Trama e mudaram a residência para São Paulo, sendo descobertos pelos jovens do sudeste que cultuavam o forró pé-de-serra.

Ass:Vanessa Morais

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sobre Maranhão

Localizado entre as regiões Norte e Nordeste, o Maranhão tem o privilégio de possuir, devido a exuberante mistura de aspectos da geografia, a maior diversidade de ecossistemas de todo o País. São 640 quilômetros de extensão de praias tropicais, floresta Amazônica, cerrados, mangues, delta em mar aberto e o único deserto do mundo com milhares de lagoas de águas cristalinas compondo um Estado que está sendo descoberto e apreciado no mundo inteiro. Essa diversidade está organizada em cinco pólos turísticos, cada um com seus atrativos naturais, culturais e arquitetônicos, muitos ainda por serem descobertos.

Culturas:

O Artesanato - Criativo e diversificado. É assim o artesanato maranhense. Vasos, bolsas, chinelos, toalhas, chapéus, miniaturas inspiradas em símbolos da cultura regional são apenas alguns exemplos dessa grande produção que, nas mãos dos artistas locais, ganham sempre novos tons, cores e formas. As matérias primas são variadas. Algodão, couro, madeira, argila e até a fibra de uma planta que pouca gente conhece, o guarimã. Mas o forte mesmo é a palha do buriti. A palmeira, própria de regiões alagadas, é comum nos municípios dos Lençóis Maranhenses. É da palha do buriti que se extrai uma fibra versátil e resistente que dá origem a dezenas de peças comercializadas nas lojas e mercados e centros de artesanato. Em Rosário destaca-se a produção de peças de cerâmica. E na colônia de pescadores da Raposa sobressai-se a produção de renda. Em São Luís vale a pena adquirir algumas das concorridas miniaturas retratando personagens típicos de São Luís: sorveteiros, verdureiros, carvoeiros, que ainda hoje oferecem seus produtos, fazendo pregões pelas ruas. Finalmente os boizinhos, pequenas e delicadas réplicas dos bois, grandes atrações durante as festas de São João.

O Patrimônia Arquitetônico - é um dos mais significativos do País. Legado precioso da presença dos portugueses na região. Predominam nas cidades de São Luís e Alcântara, esta a apenas uma hora de barco da capital. Em São Luís o Centro Histórico guarda a maior área de arquitetura colonial portuguesa no País. Um verdadeiro museu a céu aberto, com cerca de 3.500 imóveis dos séculos XVIII e XIX. São casarões com beirais, mirantes e fachadas revestidas de azulejos trazidos de Portugal, França e Alemanha. Outras atrações são as fontes, praças e escadarias. Em 1997, devido a sua beleza e importância como testemunho histórico, São Luís foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Cultura Popular - Beleza, tradição, variedade, magia. Estas são palavras que traduzem um pouco da rica cultura popular do Maranhão. Não poderia ser diferente. A miscigenação das raças negras, brancas e indígenas, está presente em quase tudo aquilo que define a identidade cultural do Estado: no artesanato, na construção de embarcações típicas, nas danças e folguedos, nas festas, na culinária, na música e na tradição oral; Bumba-meu-boi, Tambor de Crioula e Caroço, Carnaval, São João, Divino Espírito Santo; as lendas da Serpente, do Touro Encantado e de Ana Jansen são resultados de uma síntese fascinante, marcada pela criatividade, tradição e participação popular que fazem do Maranhão um estado turisticamente grandioso.

Gastronomia - A culinária típica maranhense é variada, saborosa, com temperos e personalidade marcantes. As influências vêm de índios, portugueses e africanos. Mas muito mais dos africanos, que souberam dar vida e sabores novos a tudo que encontraram nestas terras. Para quem deseja aproveitar da boa mesa, as recomendações do chef são inúmeras. Mas é sempre bom respeitar a tradição. No Maranhão o prato número um é o arroz de cuxá, ainda mais valorizado quando servido com seu acompanhamento predileto, o peixe frito. A iguaria é preparada à base de vinagreira (verdura comum no Estado), farinha seca, gergelim, camarão seco e pimenta de cheiro.

Manifestaçõies Populares:

- Bumba-meu-boi
- Tambor de Crioula
- Tambor de Mina
- Cacuriá
- Dança do cocô
- Péla-Porco
- Dança do Caroço
- Dança de São Gonçalo

Música - As diversas tradições culturais herdadas pelos maranhenses é com certeza responsável pela riqueza rítmica do Estado. Instrumentos como tambores, matracas, zabumbas, e ritmos como o do tambor de crioula, bumba-meu-boi, entre tantos outros, são heranças ancestrais que os artistas da atualidade souberam muito bem utilizar como fonte das suas criações. Outra forte influência é do Reggae, ritmo jamaicano que décadas atrás invadiu a Ilha e cativou seus moradores. A paixão por essa música conferiu a São Luís mais um título: "Jamaica Brasileira".

Lendas:

- Serpente encantada - Conta-se que uma serpente encantada, que cresce sem parar, um dia destruirá a ilha, quando a cauda encontrar a cabeça. O animal gigantesco habitaria as galerias subterrâneas que percorrem o Centro Histórico de São Luís e, embora seu corpo descomunal esteja em vários pontos da cidade (a barriga na Igreja do Carmo, a cauda na Igreja de São Pantaleão), o endereço mais certo do bicho é a secular Fonte do Ribeirão.

- Ana Jansen e sua carruagem encantada - É talvez a lenda mais popular de São Luís. Reza que Ana Jansen, mulher rica, poderosa e, segundo alguns, muito malvada com seus escravos, teria sido condenada a pagar seus pecados vagando eternamente pelas ruas da cidade numa carruagem encantada.

- Manguda - No final do século XIX, um fantasma assombrava a região onde hoje fica a Praça Gonçalves Dias. Era a Manguda, cujos relatos mais remotos dão conta de tratar-se de uma figura alva como um lençol e com uma estranha luz na cabeça.

Ass: Alan Santos

Bebida Tipica de Piauí


Cajuína - Um sabor especial de Teresina


A cajuína é uma bebida preparada com caju (não alcoólica). Bebida típica originária do estado do Piauí. A primeira pessoa a fazer esse tipo de bebida foi Dario Souza de Medeiros Junior, após várias experiências com caju em sua quinta, muito conhecido na região de Cocal, cidade do norte do Piauí.

A cajuína é preparada de maneira artesanal. A produção da cajuina é feita através dos processos de Extração do suco do caju; Filtração; Adição de gelatina (para a retirada da substancia que da a sensação de "travamento" na garganta); Separação do tanito e Clarificação.
Ass: Alan Santos

Curiosidades da Região Nordeste

CURIOSIDADES DO NORDESTEO sertanejo é uma figura muito significativa na formação cultural do nosso país. Ele representa um elemento conector entre os costumes dos nossos indígenas e os hábitos dos colonizadores, formando uma cultura merecedora de um estudo mais acurado.O sertanejo, além de ser antes de tudo um forte, ele tem a sua formação apoiada nomisticismo, na supertição, na capacidade de aceitar o sofrimento com resignação. É, na aparência, dolente, tranqüilo, humilde,mas quando ferida a sua suscetibilidade, num lampejo, transforma-se em um ser ágil, sua força e coragem se multiplicam; não admiteser dominado e enfrenta tudo e a todos com denodo e determinação, sem medir as conseqüências. O sertanejo nordestino cultua duas figuras entre si contemporâneas: O Padre Cícero Romão Batista,O Padim Cisso como o seu norte místico e Virgulino Ferreira da Silva. O Lampião , como o seu herói, exemplo que o faz não permitirque maculem os seus brios.PADRE CÍCERO - Padre Cícero Romão Batista, foi, além de sacerdote, condição que impunha respeito,um poderoso chefe político, de muita influência,nas primeiras décadas do século passado (até 1934. quando veio a falecer). O Padre Cícero nasceu na cidade do Crato (CE), em 24 de março de 1.844 e faleceu aos 90 anos, emJuazeiro do Norte, no dia 29 de julho de 1934.Esse sacerdote e político, considerado pelos osseus seguidores como um santo, implantou, com os seus milagres, um reduto poderoso de fé e decredulidade. Essa localidade é a atual progressistacidade de Juazeiro do Norte, no cariri cearense, centro de peregrinação de milhões de nordestinos de vários estados que para lá convergem para serem acorridos nas suas necessidades. LAMPIÃO - Virgulino Ferreira da Silva conhecidocomo Lampião, nasceu em 04 de junho de 1898, no sertão de Pernambuco, no sítio Passagem das Pedras, no município de Vila Bela, atualmente Serra Talhada,e foi assassinado numa emboscada, feita pela policia, na caatinga do município de Angicos, Estado de Sergipe,em 20 de julho de 1934, portanto, aos 36 anos de idade. Depois de ser um trabalhador honesto, um sertanejode bem, não encontrou outra alternativa senãointegrar-se ao cangaço, cansado de tanta perseguiçãopolítica e de presenciar e ser vítima da sanha dos coronéis. Seu ingresso no cangaço iniciou-se para vingar a morte de seu pai, José Ferreira, homem calmoe reconhecidamente pacato. Dizem que enquanto opai aconselhava os filhos na sala a mãe, mulherdestemida, armava os filhos na cozinha. Lampião, como os demais sertanejos, tinha na figura doPadre Cícero, um santo milagroso e protetor, a quem devia obediência, fato que o levou a visitá-lo.Uma curiosidade: Lampião não atacava o Estado do Ceará,em respeito ao Padre Cícero. Para não me alongar,nada melhor do que uma entrevista do próprio Lampião,concedida ao médico do Crato, Dr. Octacílio Macedo,com modificações no linguajar, para se tornar maisinteligível. Segue um trecho dessa entrevista:Lampião começou por identificar-se:- Chamo-me Virgulino Ferreira da Silva e pertenço à humildefamília Ferreira do Riacho de São Domingos, municípiode Vila Bela. Meu pai, por ser constantemente perseguidopela família Nogueira e em especial por Zé Saturnino,nossos vizinhos, resolveu retirar-se para o município de Águas Brancas, no estado de Alagoas. Nem por isso cessou a perseguição.- Em Águas Brancas, foi meu pai, José Ferreira, barbaramente assassinado pelos Nogueira e Saturnino, no ano de 1917.- Não confiando na ação da justiça pública, por que os assassinos contavam com a escandalosa proteção dos grandes, resolvi fazer justiça por minha conta própria, isto é,vingar a morte do meu progenitor. Não perdi tempo eresolutamente arrumei-me e enfrentei a luta. Não escolhi gente das famílias inimigas para matar,e efetivamente consegui dizimá-las consideravelmente.Sobre os grupos a que pertenceu:- Já pertenci ao grupo de Sinhô Pereira, a quem acompanhei durante dois anos. Muito me afeiçoei a este meu chefe,porque é um leal e valente batalhador, tanto que seele ainda voltasse ao cangaço iria ser seu soldado.Sobre suas andanças e seus perseguidores:- Tenho percorrido os sertões de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, e uma pequena parte do Ceará.Com as polícias desses estados tenho entrado emvários combates. A de Pernambuco é disciplinadae valente, e muito cuidado me tem dado. A da Paraíba, porém, é uma polícia covarde e insolente.Atualmente existe um contingente da força pernambucana de Nazaré que está praticando as maioresviolências, muito se parecendo com a força paraibana.Referindo-se a seus coiteiros, Lampião esclareceu:- Não tenho tido propriamente protetores. A família Pereira, de Pajeú, é que tem me protegido,mais ou menos. Todavia, conto por toda parte com bons amigos, que me facilitam tudo e me considerameficazmente quando me acho muito perseguido pelos governos.- Se não tivesse de procurar meios para a manutençãodos meus companheiros, poderia ficar oculto indefinidamente, sem nunca ser descoberto pelas forças que me perseguem.- De todos meus protetores, só um traiu-me miseravelmente.Foi o coronel José Pereira Lima, chefe político de Princesa. É um homem perverso, falso e desonesto, a quem duranteanos servi, prestando os mais vantajosos favores de nossa profissão. A respeito de como mantém o grupo:- Consigo meios para manter meu grupo pedindo recursosaos ricos e tomando à força aos usuários que miseravelmente se negam de prestar-me auxílio.Se estava rico:- Tudo quanto tenho adquirido na minha vida de bandoleiro mal tem chegado para as vultuosas despesas do meupessoal - aquisição de armas, convindo notar que muito tenho gasto, também, com a distribuição deesmolas aos necessitados.A respeito do número de seus combates e de suasvítimas disse:- Não posso dizer ao certo o número de combates em quejá estive envolvido. Calculo, porém, que já tomeiparte em mais de duzentos. Também não posso informarcom segurança o número de vítimas que tombaram sob apontaria adestrada e certeira de meu rifle. Entretanto, lembro-me perfeitamente que, além dos civis,já matei três oficiais de polícia, sendo um dePernambuco e dois da Paraíba. Sargentos, cabos esoldados, é impossível guardar na memória o númerodos que foram levados para o outro mundo.Sobre as perseguições e fugas deixou claro:- Tenho conseguido escapar à tremenda perseguição que memovem os governos, brigando como louco e correndorápido como vento quando vejo que não posso resistir aoataque. Além disso, sou muito vigilante, e confio sempre desconfiando, de modo que dificilmente mepegarão de corpo aberto.- Ainda é de notar que tenho bons amigos por toda parte,e estou sempre avisado do movimento das forças.- Tenho também excelente serviço de espionagem, dispendioso mas utilíssimo.Seu comportamento mereceu alguns comentários bastante francos:- Tenho cometido violências e depredações vingando-me dosque me perseguem e em represália a inimigos. Costumo, porém, respeitar as famílias, por mais humildesque sejam, e quando sucede algum do meu grupo desrespeitar uma mulher, castigo severamente.Perguntado se deseja deixar essa vida:- Até agora não desejei, abandonar a vida das armas, com a qual já me acostumei e sinto-me bem. Mesmo queassim não sucedesse, não poderia deixá-la, porqueos inimigos não se esquecem de mim, e por isso eunão posso e nem devo deixá-los tranqüilos.Poderia retirar-me para um lugar longínquo, masjulgo que seria uma covardia, e não quero nunca passar por um covarde.Sobre a classe da sua simpatia:- Gosto geralmente de todas as classes. Aprecio depreferência as classes conservadoras - agricultores, fazendeiros, comerciantes, etc., por serem os homensdo trabalho. Tenho veneração e respeito pelos padres, porque sou católico. Sou amigo dos telegrafistas, porque alguns já me tem salvo de grandesperigos. Acato os juizes, porque são homens da leie não atiram em ninguém. - Só uma classe eu detesto: é a dos soldados, que sãomeus constantes perseguidores. Reconheço que muitasvezes eles me perseguem porque são sujeitos, e é justamente por isso que ainda poupo alguns quandoos encontro fora da luta.Perguntado sobre o cangaceiro mais valente do nordeste:- A meu ver o cangaceiro mais valente do nordeste foiSinhô Pereira. Depois dele, Luiz Padre. Penso queAntonio Silvino foi um covarde, porque se entregou às forças do governo em consequência de um pequeno ferimento. Já recebi ferimentos gravíssimos e nem por isso me entreguei à prisão. - Conheci muito José Inácio de Barros. Era um homem de planos, e o maior protetor dos cangaceiros donordeste, em cujo convívio sentia-se feliz. Questionado sobre ferimentos em combate, contou:- Já recebi quatro ferimentos graves. Dentre estes, um na cabeça, do qual só por um milagre escapei. Os meus companheiros também, vários têm sidoferidos. Possuímos, porém, no grupo, pessoashabilitadas para tratar dos ferimentos, de modo que sempre somos convenientemente tratados. Por isso, como o senhor vê, estou forte e perfeitamente sadio, sofrendo, raramente, ligeiros ataques reumáticos.Sobre ter numeroso grupo: - Desejava andar sempre acompanhado de numeroso grupo. Se não o organizo conforme o meu desejo é porque me faltam recursosmateriais para a compra de armamentos e para amanutenção do grupo - roupa, alimentação, etc. Estes que me acompanham é de quarenta e nove homens, todos bem armados e municiados, e muito me custa sustentá-los como sustento. O meu grupo nunca foimuito reduzido, tem variado sempre de quinze a cinquenta homens.Sobre padre Cícero Lampião foi bem específico:- Sempre respeitei e continuo a respeitar o estado do Ceará, porque aqui não tenho inimigos, nunca mefizeram mal, e além disso é o estado do padre Cícero.Como deve saber, tenho a maior veneração por esse santo sacerdote, porque é o protetor dos humildes einfelizes, e sobretudo porque há muitos anos protegeminhas irmãs, que moram nesta cidade.Tem sido para elas um verdadeiro pai.Convém dizer que eu ainda não conhecia pessoalmente opadre Cícero, pois esta é a primeira vez que venho a Juazeiro.Em relação ao combate aos revoltosos:- Tive um combate com os revoltosos da coluna Prestes,entre São Miguel e Alto de Areias. Informado de queeles passavam por ali, e sendo eu um legalista,fui atacá-los, havendo forte tiroteio. Depois de grandeluta, e estando com apenas dezoito companheiros, vi-me forçado a recuar, deixando diversos inimigos feridos. A respeito de sua vinda ao Ceará: - Vim agora ao Cariri porque desejo prestar meus serviçosao governo da nação. Tenho o intuito de incorporar-meàs forças patrióticas do Juazeiro, e com elas oferecer combate aos rebeldes. Tenho observando que, geralmente,as forças legalistas não têm planos estratégicos,e daí os insucessos dos seus combates, que de nadatem valido. Creio que se aceitassem meus serviços eseguissem meus planos, muito poderíamos fazer. Sobre o futuro Lampião mostrou-se incerto, apesar de ter planos: - Estou me dando bem no cangaço, e não pretendo abandoná-lo.Não sei se vou passar a vida toda nele. Preciso trabalharainda uns três anos. Tenho de visitar alguns amigos,o que não fiz por falta de oportunidade. Depois, talvezme torne um comerciante.Aqui termina a entrevista concedida por Lampião em Juazeiro.Na despedida Lampião nos acompanhou até a porta.Pediu nosso cartão de visita e acrescentou:- Espero contar com os "votos" dos senhores em todo tempo!- Que dúvida... respondemos.

Ass: Alan Santos